


Arrancou hoje, na prisão semi-aberta de Massindla, na província de Maputo, Distrito de Matutuine, o projecto de plantio de mudas de cajueiros em estabelecimentos penitenciários de cinco províncias do país. O projecto, lançado pelo ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos Mateus Saize, pretende promover a reabilitação dos reclusos, através do trabalho agrícola.
O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, que presidiu à cerimónia, sublinhou o carácter transformador do programa. “A introdução da cultura do cajueiro nas nossas penitenciárias é um acto profundamente transformador. Cada muda plantada representa uma oportunidade de conhecimento, trabalho, disciplina e renovação”, declarou.
Mateus Saize destacou ainda que, a iniciativa reflecte uma visão integrada de desenvolvimento, onde a reabilitação humana, a sustentabilidade ambiental e o progresso social caminham em conjunto. “Este projecto ultrapassa o mero âmbito administrativo e reafirma o nosso compromisso com o futuro de Moçambique”, frisou o governante.
Na primeira fase, serão plantadas cinco mil mudas em Massindla. O projecto abrange ainda estabelecimentos prisionais abertos em Gaza, Inhambane, Sofala e Nampula, totalizando as 17 mil mudas previstas para a plantação. As estimativas apontam para uma produção inicial de 126 quilogramas de castanha de caju, podendo atingir as 300 kg quando as plantações estiverem em plena produção.
Segundo o Secretário de Estado da Província de Maputo, Henriques Bongece, o lançamento do projecto representa um compromisso com a sustentabilidade ambiental, a reintegração social e a valorização do ser humano. “Plantar cajueiros é plantar esperança, futuro e oportunidade, independentemente da condição actual dos envolvidos”, sublinhou.
A escolha do cajueiro como cultura central do projecto justifica-se pela resiliência da árvore e pela sua adaptação ao clima local, para além de ser fonte de rendimento e fonte de alimentação. Para Bongece, esta aposta promove simultaneamente o desenvolvimento económico local, a educação ambiental e a capacitação técnica dos reclusos, preparando-os para uma reinserção social mais digna e produtiva.
Américo Uaciquete, director dos Serviços Centrais de Investigação de Amêndoas do Instituto de Amêndoa de Moçambique (IAM), garantiu apoio técnico permanente ao projecto. “Disponibilizaremos mudas certificadas, formação em boas práticas agrícolas e acompanhamento especializado em todas as fases, assegurando qualidade e sustentabilidade”, afirmou.
Segundo o Uaciquete, a iniciativa permitirá ao Serviço Nacional Penitenciário aumentar a auto-suficiência alimentar e gerar receitas próprias a médio prazo, contribuindo simultaneamente para práticas sustentáveis de conservação dos solos. O projecto combina três objectivos: a reabilitação dos reclusos através do trabalho, a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento de capacidades produtivas no sistema prisional do país.
O evento incluiu uma visita às estufas de produção de mudas de cajueiro, onde foi demonstrado o processo de enxertia, plantação e tratamento químico de cajueiros. A iniciativa culminou com uma feira temática que contou com a presença de comunidades, autoridades locais e governamentais.
